Entrevista com Barry Leitch, o compositor de Top Gear.

Sem sombra de dúvias, Top Gear, produzido pela Gremlim Ghrapics e distribuído em 1992 pela Kemco é um grande clássico dos jogos eletrônicos. Uma das marcas registradas deste game, principalmente no Brasil, é sua trilha sonora, considerado por muitos como uma das melhores de todos os tempos (senão a melhor!). O responsável por este trabalho incrível foi Barry Leitch, compositor escocês, que em um curto prazo de tempo fez a mágica acontecer.

Além do game de corrida, Barry participou de trilhas sonoras para vários jogos nos anos dourados, tanto para computadores da época, quanto consoles caseiros. Hoje, seu trabalho está em Horizon Chase Turbo, o “Top Gear do Brasil”, como ele mesmo o define, jogo este inspirado no clássico dos anos 90. No Super Nintendo, trabalhou também em algumas faixas de Eek! the Cat, além de jogos como Roda da Fortuna e American Gladiators.

Barry, com toda sua simpatia e prestatividade, nos deu uma entrevista recheada de informações preciosas sobre sua vida, carreira, o processo de produção de jogos nos anos 80/90, Top Gear, Horizon Chase e muito mais. Confiram, porque está sensacional!!

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Barry Leitch em seu estúdio musical.

SNSQ: Quando e como começou sua relação com a música? Quais seus gêneros musicais favoritos? Você costuma levá-los para suas composições?

Barry: Eu amava a música desde muito cedo. Meu avô adorava sentar e tocar discos de música infantil que ele colecionava. Eu ouço todos os tipos de música, tenho algo especial com The Sisters Of Mercy, e sempre gostei da loucura de Alien Sex Fiend, mas minha playlist é cheia de coisas estranhas e maravilhosas. Ocasionalmente eu vou me basear em pequenas referências
musicais para algumas de meus trabalhos. Eu fiz um projeto recente para um jogo chamado Madballz, onde escrevi cada nível no estilo de um compositor que me influenciou.

SNSQ: Qual foi seu primeiro trabalho para jogos? Como aconteceu? Assisti a uma reportagem que diziam que você não havia gostado do resultado dele. É verdade? Por quê?

Barry: I.C.U.P.S no computador Commodore 64. Eu escrevi um monte de músicas demo, enviei-as para todas as empresas de jogos, liguei para todas elas. Disse que elas deveriam comprar minha músicas. Elas não quiseram (elas eram muito ruins). Então eu fiz mais demos, enviei todos eles de novo, chamei-os de novo. Um deles respondeu dizendo: “aquela música… eu gosto disso, nós gostaríamos de comprar!” Eu tinha 15 anos de idade na época. Eu não estava estudando música na escola, tudo eu aprendia sozinho. Eu acho que tudo que eu escrevi antes dos 20 anos era ruim. Eu estava aprendendo desta forma. Aprendendo sobre progressões de acordes, melodia, contra-melodia, harmonias, etc, tudo dentro das restrições técnicas dos primeiros computadores. Olhando para trás eu posso ver que eu tropecei cegamente ao voar, escrevendo uma música muito ruim até que eu simplesmente aprendi o que não fazer quando escrevo.

SNSQ: De seus trabalhos, qual você mais gostou de fazer?

Barry: TFX é um favorito pessoal na placa de som MT-32, mas tem que ser o Horizon Chase. Havia tanto amor por Top Gear, e na época eu simplesmente tinha me apressado com ele. Eu só passei 5 dias fazendo a música para ele, e porque ficou tão popular no Brasil, eu me senti quase envergonhado porque para mim eram apenas alguns dias de trabalho há 28 anos atrás.
Então quando chegou a hora de escrever as novas músicas, senti que realmente tinha que me esforçar para escrever algo que as pessoas gostassem, e não apenas me apressar com isso.

SNSQ: Você já esteve alguma vez no Brasil?

Barry: Eu visitei duas vezes, uma com o Video Games Live para shows no Rio e Belo Horizonte para a estréia mundial do meu arranjo do Top Gear / Horizon Chase Medley e para fazer um pequeno show do Top Gear World Tour com Nino Megadriver, que foi absolutamente maravilhoso! Foi uma grande aventura ver o post do Tommy Tallarico sobre como ele iria se apresentar no Brasil no próximo ano, ir ao encontro dele em um show local, e concordar em escrever o arranjo para ouvi-lo tocar ao vivo. Foi muito especial para mim ouvir o concerto ao vivo. As pessoas sempre me disseram que o Top Gear era super popular no Brasil. Entre cada música, os espectadores deveriam escolher um jogo para ouvir suas faixas. A noite toda, entre todas as músicas, as pessoas continuavam gritando por Top Gear! Sinceramente foi só naquele momento, que realmente me bateu, que todos conheciam aquela melodia! Foi tocante para mim. Quando eu saí no palco a multidão estava cantando “Barry!Barry! Barry! ”. Então eu tenho isso como meu toque agora. Obrigado Rio e BH (Belo Horizonte)!

SNSQ: No Brasil, você é aclamado por seu trabalho em Top Gear, jogo considerado por muitos como uma das melhores trilhas sonoras de todos os tempos. O que você pensa sobre isso?

Barry: Haha, é ótimo que as pessoas pensem isso. Me sinto lisonjeado, mas eu realmente sinto que a trilha sonora é indigna de tal elogio. Eu gostaria que eles pensassem sobre o Horizon Chase Turbo, porque para mim, sou eu tentando ser o melhor que eu posso! Top Gear foi “fazer o trabalho, continuar com o próximo projeto”, e eu sinto envergonhado com isso.

SNSQ: Como é sua relação com fãs brasileiros? Eles costumam demonstrar admiração diretamente para você?

Barry: As pessoas do Brasil que conheci e visitei foram absolutamente incríveis! Tantos compositores talentosos, músicos, gamers. Foi uma honra conhecê-los e compartilhar tempo com eles. Eu já visitei o Brasil duas vezes e me diverti muito. Eu me tornei um bom amigo do Nino Megadriver.
Eu o visitei duas vezes agora e passei algum tempo com ele em Washington quando ele veio me visitar . Ele foi quem me contatou primeiro sobre o Top Gear, me dizendo que ele poderia tocar na guitarra. Eu disse a ele: “Não, ninguém pode tocar isso na guitarra, é loucura!”. Ele respondeu com um vídeo tocando. Eu fiquei chocado! Desde então eu escrevi “Bleeding Fingers” para o Horizon Chase em sua homenagem com um solo de guitarra muito complicado, só para irritá-lo! Ele me enviou um vídeo tocando e rindo de mim. Eu amo Nino!

SNSQ: Como já dito, você teve 5 dias para entregar a trilha sonora de Top Gear finalizada. Como veio a decisão de reaproveitar as faixas de Lotus Esprit Turbo Challenge, do Amiga? Era algo que já tinha em mente ou veio, digamos, pelo prazo ou exigência da produtora?

Barry: Eu trabalhava para uma empresa chamada Imagitec, eles me “alugavam” para outras empresas para escrever as músicas delas também. A Gremlin Graphics estava fazendo Top Gear para ser publicado através da Kemco. Então, numa segunda-feira de manhã fui enviado para a Gremlin Graphics, cerca de uma hora de carro. A única maneira de obter amostras de insturmentos no SNES na época era usar uma estação de trabalho SUN, muito cara (que ninguém no desenvolvimento de jogos no Reino Unido tinha). Então eu já havia visitado a Gremlin (produtora) para tentar fazer a música do Top Gear, mas como estávamos sem instrumentos musicais, tive que desistir e voltar em algumas semanas enquanto ela (Gremlin) pedia a Kemco algumas amostras de instrumentos musicais. A Kemco enviou mais de 2 disquetes de amostras de instrumentos (bumbo, caixa, baixo, etc) – os sons eram realmente ruins, mas era tudo o que tínhamos! Então, eu me sentei no kit de desenvolvimento (que eu nunca tinha usado antes), e encontrei o código fonte para a música e o manual estava todo em Kanji (caracteres japoneses), então eu não consegui ler. Então por tentativa e erro, mudando os dados lá dentro, fui trabalhando. Então eu comecei com um arpejo simples da minha progressão de acordes favorita (The Vegas), e fui colocando-o com a música juntos. À medida que progredia, encontrei o efeito de eco, que foi incrível – até então nenhum outro sistema de computador tinha esse tipo de efeito de DSP disponível para compositores – então eu imediatamente o configurei para os níveis máximos, e configurei. Soou como algo supreendente! O programador olhou e me mostrou na tela que as cores indicavam que estava usando TODA a memória para o eco. Eu tive que deixar muito mais curto e é por isso que o arpejo ecoa assim. Então eu simplesmente terminei de escrever a música. Já era terça ou quarta-feira. Eu rapidamente percebi que a essa velocidade, eu teria apenas 2 ou 3 músicas completadas na sexta-feira e eu gostaria de ir para casa no fim de semana (estando na Gremlin, eu estava dormindo em um sofá à noite). Então, como precisávamos de mais músicas, e eu não queria ter que escrever todas as músicas novas para isso, peguei algumas das faixas do Lotus Turbo 1 e 2 e adicionei o efeito de arpejo a algumas delas, simplesmente, para que eu pudesse ir para casa na sexta-feira.

SNSQ: Em que você se inspirou para compor a trilha sonora de Lotus Turbo Challenge?

Barry:  O tema do título do Lotus Turbo Challenge 2 foi o destaque. Ele é muito popular na Europa (na verdade, acabei de remixá-lo para o CD do Amiga Power Kickstarter). A ideia para isso me veio em um sonho uma noite. Eu acordei com a ideia para a melodia em minha cabeça e corri para o escritório para programá-lo o mais rápido possível, antes que me esquecesse. Eu escrevi, honestamente, a melodia inteira em duas ou três horas. Se todas fossem tão fáceis de compor assim!

SNSQ: Você reutilizou algumas faixas de Lotus Turbo Challenge1 e 2, do Amiga, em Top Gear. Como foi o processo de conversão destas faixas para o Super Nintendo?

Barry: O tema do título de Top Gear é a música de conclusão do Lotus 2. O Amiga tem apenas 4 canais (4 notas tocadas a qualquer momento), então quando eu comecei a escrevê-lo, eu estava tentando muito fazer parecer que havia mais de 4 canais tocando. Eu tinha 2 arpejos diferentes tocando em um canal o que leva o usuário a pensar que havia duas notas sendo tocadas, então a linha de baixo foi tocada em staccato (técnica de condução instrumental ou vocal) junto com outros efeitos de arpejo, novamente para enganar o usuário e fazê-lo pensar que provavelmente havia cerca de 6 ou 7 sons tocando ao mesmo tempo. Isso foi feito tocando muito rapidamente e mudando de instrumentos com frequência, então torna-se realmente complicado dizer exatamente o que está tocando.

SNSQ: O chip sonoro do Super Nintendo apresentou alguma dificuldade para a conversão das faixas utilizadas para Top Gear?

Barry: O SNES foi super desafiador para eu trabalhar durante o projeto Top Gear, simplesmente porque estávamos usando o driver de música dele, e eu não tinha absolutamente nenhuma forma de criar novas amostras de instrumentos nisto. Em alguns anos, nós tínhamos um editor de música completo no PC onde você poderia escrever a música para SNES, PC Adlib, PC MT-32, PC-Sound Canvas e talvez Sega Genesis/Mega Drive (eu não consigo lembrar, eu sei que isso era planejado, mas eu odiava trabalhar nos chips de som FM, então eu geralmente tentava evitar esses projetos).

SNSQ: Você deixou a empresa ImageTec (responsável pela trilha de Top Gear) e foi para a Ocean Software, não participando assim de Top Gear 2 e Top Gear 3000, certo? Você gostaria de ter participado destes jogos?

Barry: Há muitos jogos que eu gostaria de ter participado haha! Eu tinha uma peça de música escrita para o Lotus 3, que acabei mudando a bateria e usando-a em European Champions (Amiga – Ocean).
https: //www.youtube.com/watch?v=wPc6_S5A5jw

SNSQ: O seu trabalho mais desafiador para o Super Nintendo foi Top Gear, pelas circunstâncias? Se não, qual foi?

Barry: Acho que trabalhei em 5 ou 6 jogos de SNES, o mais difícil foi o Wing Commander 2 que nunca foi lançado. Eu tive que usar o driver de música do Martin Galways (famoso compositor para o chip de som de Commodore 64). Era incrivelmente poderoso, mas meu Deus, era complicado! Quase levou um mestrado para entender o que estava acontecendo.

SNSQ: Na Ocean, você  trabalhou na trilha sonora de Eek! The Cat para o Super Nintendo, que é bem conceituada, por sinal. Possivelmente  nesta, você teve mais tempo para compor, certo? Como foi escrever para este jogo? A produtora teve alguma exigência em especial para seu trabalho?

Barry: Eu só escrevi algumas músicas para ele: a música do Zoo do reggae e uma das outras músicas é baseada em uma do TFX. Keith Tinman e Dean Evans trabalharam nas outras faixas. Na verdade, é muito difícil para mim discernir se algumas das músicas escritas foram feitas por mim ou por Dean. Nós tínhamos um hábito onde costumávamos trocar de escritório durante o dia e trabalhar na música um do outro, pois isso mantinha as idéias novas e nos deixava inspirados. Foi uma maneira maravilhosa de trabalhar, mas quando alguém pergunta “você escreveu essa música?” – eu vou ouvir, e eu posso ouvir coisas que eu sei que eu escrevi, mas então eu vou ouvir uma seção onde eu sei que não escrevi e fico pensando se era uma daquelas músicas em que trabalhamos juntos ou se eu a escrevi (como a música do zoológico de reggae que era do Sleepwalker no CD do Amiga). Talvez Dean simplesmente a converteu para o Super Nintendo. Eu sinceramente não consigo lembrar.

SNQS: Você joga ou jogou Top Gear como um jogador, não como produtor musical? Se sim, qual seu carro favorito?

Barry:  Eu nunca tive um SNES quando estava no Reino Unido (eles eram muito caros) – nós tínhamos um Amiga porque poderíamos piratear os jogos com facilidade. Não tínhamos dinheiro, éramos muito pobres.

SNSQ: Em Top Gear Rally, do Nintendo 64, você voltou para a série e houve uma mudança significativa no ritmo de suas composições, se comparados ao primeiro. Isso foi uma escolha sua ou alguma exigência da produtora?

Barry: Depois do Ocean, me mudei para a Origin Systems nos EUA . Estive lá por uns dois anos. Após esse período, me mudei para a Boss Games, que estava fazendo o Top Gear Rally, então comecei a trabalhar nele lá e também em Spider the Video Game, do Playstation. Nota interessante: eles realmente me incentivaram a escrever músicas diferentes para a versão do Nintendo 64, em comparação com o Top Gear. O cartucho da Região 1 tem uma faixa de título diferente que é mais parecida com o Top Gear do que a versão americana. Depois disso tive alguns problemas na Boss. Eu comecei a escrever a música para Twisted Edge Snowboarding no N64, mas eles
realmente não gostaram do que eu estava criando. Eu publiquei recentemente duas trilhas sonoras (na minha página de bandcamp) que eu escrevi para ele (uma é mais Top Gear). Rush 2 é mais heavy metal (o que eles me pediram). Eles rejeitaram ambas as minhas composições, e acabamos nos separando e fui trabalhar na Atari Games, onde estive no Rush 2, Rush 2049, California Speed & Gauntlet Legends, do Nintendo64. É estranho ouvir essas duas partituras rejeitadas, como eles estão no meio termo entre o Top Gear Rally e o Rush 2 e 2049.

SNSQ: Em seus trabalhos, você fez apenas a parte musical ou chegou a opinar em algum momento no desenvolvimento de algum jogo? Caso tenha acontecido, qual?

Barry: Eu sempre gostei das limitações técnicas de trabalhar com os primeiros computadores. Hoje é fácil, você pode ter qualquer som imaginável e quantos deles quiser. Eu tenho muito prazer trabalhando com brinquedos, pois eles usam chips com muitas limitações de som, como os computadores antigos. Eu gosto de pensar que sou muito bom em fazer 4 canais soarem. Gosto de 5 ou 6, coisas assim. Há muitos truques de engenharia de áudio, e trabalho duro faz com que os brinquedos pareçam bons. Alguém me disse uma vez que “colocar som brinquedos não é ciência do foguete “- isto é verdade, absolutamente científico como você se aproxima dele.

SNSQ: Sobre Horizon Chase, um jogo brasileiro com músicas compostas por você? Como aconteceu essa união?

Barry: Eu estava muito ocupado na época trabalhando em música para produtos infantis, e para ser sincero, fiquei bastante desconfiado do projeto. Eu sou contatado com bastante frequência por pessoas que nunca fizeram um jogo antes, e não têm experiência em negócios, e geralmente projetos como esses nunca chegam ao mercado. Eu conversei bastante com eles e
percebi que eles realmente tinham uma grande equipe de desenvolvimento e já haviam feito produtos antes. E também estavam super empolgados em fazer Horizon Chase, e essa paixão e empolgação realmente me interessaram. Eu cheguei perto de não fazer nada, mas no final, eu acho que mandei um e-mail dizendo “foda-se, por que não… vai ser divertido!”. E foi! Com o tempo eles não fizeram nada além de me impressionar com suas habilidades de negócios, profissionalismo e amor por este jogo. A coisa toda tem sido simplesmente sobre amor. Amor por um jogo, amor pela música, por sua aparência. O amor e o cuidado que eu coloco na música tentando garantir que cada nota de cada arpejo seja perfeita. Todo mundo queria fazer um jogo que todos amássemos. Eu lembro quando a versão da turnê mundial foi lançada pela primeira vez, sentei na cama às 4 da manhã jogando, apenas maravilhado com o quão bonito e quão bem tocava. Foi a primeira vez que eu via o produto final e eu tinha lágrimas rolando pelas minhas bochechas, porque era simplesmente perfeito!

SNQS: Hoje você tem uma produtora musical própria, certo? Você continua no segmento de jogos eletrônicos ou atende a outros nichos?

Barry: Sim, eu trabalho em casa, eu tenho meu próprio estúdio. Eu escrevo
música para os jogos ocasionalmente, mas principalmente trabalho fazendo composição e engenharia de som para brinquedos infantis. Então, quando você compra um brinquedo para seu filho, ouça atentamente a música!

Recado de Barry Leitch.

E assim finalizamos essa riquíssima conversa com Barry Leitch, compositor de trilhas sonoras mundialmente conhecidas, como Top Gear e Horizon Chase. Espero que vocês tenham gostado de conhecer um pouco mais esse cara tão talentoso, atencioso e prestativo com os fãs. Aproveite para acompanhá-lo em suas mídias sociais:

Facebook: https://www.facebook.com/BarryLeitch

Site: http://www.barryleitch.com/

Até a próxima!

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